Plantas de cobertura como auxiliares no manejo do solo

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25 de setembro de 2020
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País de clima tropical, o Brasil apresenta classificações de solos altamente intemperizados, com baixa fertilidade. Exemplo disso são os latossolos, que ocupam aproximadamente 39% do território nacional, segundo dados da Embrapa do estudo Sistema brasileiro de classificação de solos (SiBCS). No desafio de verticalizar a produção agrícola, uma das ferramentas recomendadas é a utilização de plantas de cobertura, que possuem um papel de condicionador do solo para boas produtividades na cultura comercial subsequente.

A melhoria do solo se deve ao fato de que as plantas de cobertura desempenham funções fundamentais no sistema de plantio direto, protegendo o solo contra erosão e lixiviação. Além do mais, propiciam ciclagem de nutrientes pelas gramíneas (brachiaria e milheto) e, no caso das leguminosas, atuam como fixadoras de nitrogênio atmosférico através da simbiose com bactérias. A cobertura vegetal também pode suprimir plantas daninhas, evitando doenças, promovendo o controle de nematoides e de outras espécies de pragas não hospedeiras, de acordo com o artigo Plantas de cobertura: O que é isto?.

Um dos fatores mais importantes proporcionados pela decomposição da palhada é o aumento da matéria orgânica no solo, essencial para a fertilidade, estruturação, retenção de água, aumento da atividade biológica e disponibilização de nutrientes para a cultura comercial.

A aptidão para altas produtividades está intimamente ligada ao elevado teor de matéria orgânica, responsável pelo acréscimo de cargas negativas ao solo, ampliando a capacidade de troca de cations, com maior disponibilização de potássio, cálcio e magnésio para as culturas cultivadas, além de outros nutrientes, como nitrogênio e enxofre.

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Escolha das plantas de cobertura requer análise criteriosa

Também de acordo com a Embrapa, a precisão na escolha da espécie de cobertura deve levar em conta algumas características, como:

  • Não ser hospedeira de doenças, pragas e nematoides;
  • Proporcionar boa cobertura do solo e acúmulo de biomassa;
  • Ser de fácil estabelecimento;
  • Apresentar sistema radicular vigoroso e profundo.

Para cada ambiente de produção, e dependendo da cultura sucessora, há um conjunto de espécies mais adequadas, podendo ser feito um mix com mais de duas espécies de acordo com o objetivo final, seja ele controle de nematoide, formação de palhada, entre outros.

No Estado do Mato Grosso, as plantas de cobertura mais utilizadas são Brachiaria ruziziensis, Crotalária spectabilis, Crotalária breviflora e milheto.  Alguns agricultores têm apostado no Estilosantes em áreas arenosas e com alta infestação de nematoide para recuperação do solo. O consórcio de brachiaria com o milho na segunda safra é uma excelente opção para obter lucratividade e ainda possibilita, após a colheita dos grãos, a integração com o gado.

Para um bom manejo do solo, é necessário que o profissional se dedique a compreender os fatores que limitam alcançar o máximo potencial produtivo das culturas, sugerindo soluções e ferramentas adequadas. Como profissional do campo, atuando na região do MT, fazer parte do planejamento do parceiro agricultor é uma grande satisfação, pois tenho a oportunidade de compartilhar conhecimento e enfrentar dificuldades, ao mesmo tempo em que caminhamos juntos e rompemos desafios.

*Tiago de Oliveira é

engenheiro agrônomo e consultor técnico

da APagri na região do Parecis-MT

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