Produção de milho deve atingir 92 mi/t

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A Agroconsult projetou que a produção total de milho no Brasil em 2016/17, incluindo safra de verão e inverno, pode alcançar 92 milhões de toneladas. “Se a gente olhar o calendário de plantio da soja, a safrinha vai ser plantada cedo, não totalmente sem risco, mas com menos risco do que os anos anteriores do ponto de vista climático. A chance de o Brasil voltar a atingir 90 sacas por hectare é grande”, disse o sócio diretor da Agroconsult, André Pessôa, na quinta-feira, 24.

Para a safra de verão, a estimativa da Agroconsult é de aumento de 7% na área plantada no Brasil, para 5,7 milhões de hectares. “A maior parte da definição da safra no Sul do Brasil deve ocorrer a partir da primeira quinzena de dezembro, então ainda não está garantida essa questão da produtividade, por conta da presença do La Niña”, assinalou. Pessôa lembrou que existe o risco climático associado ao fenômeno, que pode reduzir o volume de chuvas no Sul do País. Na última ocorrência severa do La Niña, em 2011/12, a produtividade gaúcha caiu para 50 sacas por hectare.

A perspectiva de produção de milho verão no Brasil, por enquanto, é de 30,2 milhões de toneladas, com aumento de 17% ante o ciclo anterior, conforme a Agroconsult. “A expectativa é de rentabilidades positivas, mas não tão espetaculares quanto aquelas observadas em 2016”, afirma Pessôa.

Ele reforça que o momento da comercialização é importante para os produtores, porque deve haver uma recuperação da safra de inverno logo na sequência. O analista projetou que a safrinha de milho deve ter aumento de área de 6% no Brasil, para 11,6 milhões de hectares, sendo que, só em Mato Grosso, o incremento no plantio deve chegar a 10%.

A Agroconsult prevê que, com a recuperação da produção, a exportação de milho deve atingir 28 milhões de toneladas em 2017, porque existe mercado para o produto brasileiro e logística disponível, ante cerca de 13 milhões de toneladas neste ano. A expectativa de preço em Chicago é de US$ 3,50/bushel entre setembro deste ano e agosto de 2017.

“Provavelmente em março do ano que vem, quando a safra de verão já estiver confirmada, a safrinha já plantada, e os quadros climáticos de abril e maio já sinalizados, a gente já vai estar na paridade de exportação novamente. Hoje a gente está um pouquinho acima ainda, mas bem pouco”, apontou Pessôa.

Segundo o analista, o volume estocado de milho em janeiro de 2017 deve atingir 8,4 milhões de toneladas, em comparação com 6,3 milhões de toneladas em janeiro 2016, mas reforçou que a maior parte dos estoques está na mão de grandes consumidores, como integrações e indústria cervejeira, com pouca disponibilidade no mercado.

A Agroconsult prevê, contudo, que, mesmo com o aumento da exportação, em janeiro de 2018 o estoque brasileiro deve ter incremento para 14 milhões de toneladas, refletindo o aumento da produção, com milho sobrando também nos armazéns de produtores e cooperativas. “O mercado brasileiro estará de novo arbitrado plenamente com a paridade de exportação ao longo de praticamente o ano de 2017 inteiro”, disse Pessôa.

“É uma notícia boa para a inflação e para os consumidores que sofreram com o preço do milho este ano, mas não é uma notícia tão boa para os produtores. Esses estoques devem, mês a mês, permanecer em níveis mais elevados, quando comparado com o ano passado, ao longo do ano inteiro.”

 

Fonte: Estadão Conteúdo

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