Preço do açúcar tende a seguir em alta

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A despeito dos esforços das usinas brasileiras para maximizar a produção de açúcar tanto na safra atual como para a próxima, analistas acreditam que o aumento da oferta do país será incapaz de reverter a trajetória de alta dos preços, que se aproximam dos maiores patamares da história.

Para esta safra, a estratégia das usinas tem sido aumentar a parcela do caldo de cana destinado à produção de açúcar. Para a próxima, algumas empresas estão investindo para elevar a capacidade de fabricação do produto, permitindo um “mix” mais açucareiro.

Apesar dessas indicações vistas nos últimos meses, os preços do açúcar se mantêm nos maiores patamares desde 2012, tanto em dólares na bolsa de Nova York como em reais, ainda que, a partir de junho, o ritmo de alta tenha diminuído.

Em agosto, o preço médio do açúcar VHP (de polarização muito alta) ficou em R$ 66,15 a saca e, na última sexta-feira, já estava em R$ 79,64 a saca. O valor é maior desde maio de 2012, considerando uma série de preços de 14 anos elaborada pela consultoria FGA sem tendência, que desconta os preços pela inflação do setor. Nesse período, em apenas 12% das vezes os preços deflacionados ficaram entre R$ 72,01 e R$ 80,80 a saca. E, se as cotações continuarem subindo, podem ir para a faixa mais alta de preços, acima de R$ 80,80 a saca, ocorrido apenas 4% da vezes.

A última vez em que os preços alcançaram essa faixa mais alta de preços foi entre 2010 e 2012, quando a produção brasileira sofreu uma forte quebra em decorrência de problemas climáticos. Segundo Gustavo Correa, sócio da FGA, esse ciclo foi sucedido rápida e longamente por um período de baixa porque houve recuperação no nível de produção e porque a frustração com a política para o etanol gerou excesso de açúcar. Agora, contudo, a situação é outra.

“No ciclo atual, estamos com capacidade total utilizada no Centro-Sul, assim como na Índia e na Tailândia. Temos que ter um preço que remunere mais significativamente do que no ciclo anterior [para incentivar aumento de capacidade], e devemos ter um prolongamento deste déficit”, afirma.

Para Correa, os aportes que permitirão a algumas usinas direcionar uma parcela maior da cana para a produção de açúcar deve agregar nada muito superior a 1 milhão de toneladas à capacidade de produção da commodity. Para se ter uma ideia da grandeza, nesta safra a produção do Centro-Sul deve ficar em torno de 34 milhões de toneladas, conforme estimativas de consultorias revisadas recentemente. “É pouco para um déficit mundial de 5 milhões a 6 milhões de toneladas”, sustenta o analista.

Gabriel Elias, trader sênior da asiática Olam International, avalia que os preços atuais do açúcar em dólares já estão compensando investimentos em aumento de capacidade. “Não vejo nenhum país com custo acima de 20 centavos de dólar a libra-peso”, afirma.

Mas, da viabilidade econômica até a concretização desse aumento, haverá um tempo suficiente para manter o açúcar ainda caro, diz. Além disso, Elias ressalta que o custo no Brasil para financiar novos aportes ainda é elevado e que as margens mais altas das usinas estão sendo usadas para o pagamento de dívidas.

Tal conjuntura não significa que recuos pontuais não possam ocorrer. Para Henrique Akamine, gerente de análise de mercado da trading Czarnikow, as refinarias chinesas só devem voltar a importar quando o preço na bolsa de Nova York cair a 18 centavos de dólar a libra-peso. Além disso, crescem os rumores de que o governo chinês venderá uma parte do açúcar dos estoques públicos para abastecer as refinarias, que já estão com poucas reservas.

Por: Camila Souza Ramos

Fonte: Valor Econômico

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