Gestão de fertilidade do solo: melhor produtividade sucroalcooleira

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A gestão de fertilidade do solo é ação importante porque proporciona ao produtor o conhecimento prioritário e aprofundado do solo onde se instalará o plantio. Em se tratando do plantio de cana é ainda mais relevante, considerando que o canavial ficará no campo no mínimo por cinco ou seis ciclos – há frequentes relatos de mais de 12 cortes! -, trabalho que exige atenção à gestão de fertilidade do solo.

O setor sucroenergético é o segundo mais importante da agropecuária para a balança comercial brasileira, gerando cerca de 12 bilhões de dólares anuais em exportações, de acordo com análise do setor feita pelo Sebrae em 2018, tendo como base a região do Triângulo Mineiro. Além de maior produtor e exportador de açúcar no mundo, o Brasil ocupa também essa posição em relação ao etanol. Alcançar esses índices não é tarefa simples e nisso se destaca a importância da gestão de fertilidade do solo. O cálculo é simples: solo bem cuidado é fértil e o resultado é uma melhor produtividade.

As pesquisas do Sebrae mostraram que o Estado de Minas Gerais representa 9% do total de usinas e da capacidade instalada de moagem do País e, desse total, 6,9% das unidades estão localizadas no Triângulo Mineiro, com destaque para as cidades de Uberaba, Frutal, Conceição das Alagoas e Campo Florido. A produção de cana ocupa uma área de mais de 904 mil hectares plantados no Estado.

Gestão de fertilidade do solo no canavial

A gestão de fertilidade do solo, visando práticas corretivas e adubação, é base na busca de canaviais de três dígitos (acima 100ton/ha). Dentre as práticas que têm potencial para aumento de produtividade, segundo R. Otto (2017), estão:

  • Calagem na implantação do canavial, com 26% de aumento;
  • Gessagem, com 19% de aumento;
  • Adubação nitrogenada da soqueira, com 17% de aumento;
  • Fosfatagem, com 7% de potencial de aumento de produtividade.

Portanto, são práticas que visam aumentar a eficiência da adubação mineral.

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Amostragem é prioridade

Óbvio que antes da interpretação e das recomendações ao produtor a partir da gestão de fertilidade do solo se faz necessária a retirada das amostras de solo, uma espécie de “exame de sangue” para o correto diagnóstico. As amostras devem ser retiradas entre 20 e 25cm, próximas às linhas da cana, que é onde predomina o sistema radicular da cultura, nas profundidades de 0-20 e 20-40cm ou 0-25 e 25-50cm.

Com os resultados analíticos, são usadas fórmulas ou equações para determinação das dosagens de corretivos e fertilizantes, tendo os boletins disponíveis como base à estimativa de produtividade desejada.

Os dados obtidos com a gestão de fertilidade do solo são ferramentas importantes, inclusive nas áreas que estão sendo retomadas por novos grupos de unidades que estavam paralisadas. Há, ainda, as coletas de solo para PAV, que são amostras visando ao atendimento às normas ambientais, referentes ao armazenamento e aplicação de vinhaça e águas residuárias no solo agrícola.

As análises de solos e tecidos vegetais (folhas) da APagri são realizadas no laboratório próprio da empresa, o Ubersolo, localizado em Uberlândia-MG, onde também são analisados resíduos de usinas e destilarias, como cinzas, torta de filtro e vinhaça.

Vale um alerta ao produtor de cana: quando conhecemos as zonas mais produtivas dentro do talhão é possível investir nelas e a gestão de fertilidade do solo é elemento fundamental para tornar esse investimento mais certeiro. E essa é uma das expertises do nosso time APagri!

*Norwaldo Mello é

engenheiro agrônomo e

consultor técnico da APagri

na região de Uberaba-MG

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