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A definição do teto produtivo das culturas conta com dois fatores determinantes, de uma forma geral: o solo e o clima. São os mais importantes (Vitti, 2020). Em artigo anterior já tratamos sobre a influência que as condições climáticas podem exercer na produção agrícola. A variação na produtividade pode ser oriunda da relação do ambiente de produção com solo e clima.

Exceto o fator clima, que pode e deve ser monitorado dentro da propriedade, todos os demais – genótipo, plantas invasoras, doenças e pragas -, podem ser controlados pelo produtor. O manejo correto de plantas invasoras, doenças e pragas não acrescenta produtividade, ao contrário do genótipo e do solo, principalmente, que podem trazer ganhos significativos de produção, desde que bem manejados.

Pesquisa desenvolvida por Dell’aquila (2009) busca estabelecer e desenvolver técnicas e informações para se conhecer as fontes de variação da produtividade. Essas variações podem ser oriundas do ambiente de produção, relacionadas ao solo e clima, todas interagindo com o genótipo da planta e as técnicas de cultivo utilizadas pelo produtor (Reichardt; Timm, 2004).

Plantas de cobertura como auxiliares no manejo do solo

O estabelecimento da lavoura é a fase mais crítica de todo processo produtivo e devem ser observadas as condições climáticas adequadas de umidade e temperatura do solo, além do correto manejo da cobertura vegetal, no caso do sistema de plantio direto. O uso do material genético adequado ao ambiente, assim como sementes de alto vigor, são fatores determinantes no estabelecimento de uma lavoura com estande adequado e alto potencial produtivo.

Para que o processo germinativo se inicie na cultura da soja, as sementes necessitam absorver do solo 50% da sua massa em água e, para isso, a umidade do solo deve estar, preferencialmente, na capacidade de campo. O plantio deve ser iniciado respeitando um período mínimo de 16 a 24 horas sem precipitações superiores a 20 mm, sob risco de ocorrer dano por embebição, principalmente em sementes com teor de umidade abaixo de 11% (Gazzolla-Neto 2018).

Outros fatores além das condições climáticas, como temperatura do solo e profundidade de semeadura, são muito importantes no estabelecimento da cultura, sendo este último facilmente controlado pelo produtor, mas muitas vezes realizado de forma incorreta devido à regulagem das plantadeiras.

Potencial de produtividade das fronteiras agrícolas

Das principais necessidades para germinação uniforme da soja, os parâmetros necessários são compostos por: 3cm de profundidade de semeadura, temperatura variando entre mínima de 8°C e máxima de 40°C, sendo a faixa de temperatura ideal do solo de 20°C a 22°C (Gazzolla-Neto).

PARÂMETROS NECESSÁRIOS PARA GERMINAÇÃO DA SOJA
Profundidade de semeadura 3 cm
Necessidade de absorção de água em relação à massa da semente 50%
Temperatura mínima do solo 8°C
Temperatura máxima do solo 40°C
Faixa de temperatura ideal do solo 20°C – 22°C

As boas práticas agronômicas, com o uso de tecnologias compatíveis ao ambiente em que a lavoura está sendo implantada, são fatores decisivos para o sucesso da atividade agrícola.

De acordo com Malavolta (2006), o pH ideal para o cultivo da maioria das culturas está na faixa de 5,9 a 6,5, uma vez que esse fator influencia diretamente na disponibilidade de vários elementos essenciais, tais como Ca, Mg, P, N e K. A correção química e física do perfil do solo também proporciona condições adequadas ao desenvolvimento radicular em profundidade, dando condições para maior exploração da reserva de água e nutrientes do solo e, consequentemente, maior teto produtivo.

A APagri conta com especialistas no assunto, ferramentas e tecnologia adequadas para ajudar o produtor rural a ampliar sua visão da lavoura, seja no tempo que for.

*O engenheiro agrônomo

Nelson Henrique Dall’Acqua

é consultor técnico da APagri

nos estados de Goiás e Mato Grosso

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